Todos os autores inspirados pelo naturalismo, tanto no século XIX quanto nas primeiras décadas do século XX, sofreram um intenso processo de simplificação interpretativa – um duplo empobrecimento de suas obras e dos alicerces teóricos que as sustentaram. Com Aluísio Azevedo, não foi diferente.
O autor que, em vida, fora celebrado como um dos principais artífices de uma literatura moderna e socialmente engajada, passou a ser lido, ao longo do tempo, por meio de um filtro redutor que privilegiou a leitura moralista, o rótulo de imitador e a canonização isolada de O cortiço como obra paradigmática. A produção do livro Aluísio Azevedo pela crítica contemporânea nasceu da necessidade de enfrentar esse processo crítico de erosão. Nosso objetivo não era apenas reavaliar a fortuna crítica do autor, mas também compreender o modo como sua recepção exemplifica a trajetória do naturalismo brasileiro: um movimento frequentemente julgado pela ótica do “déficit” – de originalidade, de rigor cient